domingo, dezembro 20, 2009

Quando me abraças

Às vezes penso que te imaginei
e que agora te construo cada dia.
Mas quando me abraças,
quando me beijas e me falas…
Meu amor...
deixa-me amar-te para sempre,
deixa-me sentir agora a tua pele, que é nossa.
Deixa-me seguir sorrindo sem te ver,
seguir acreditando sem perder a fé,
e seguir esperando,
...sem limite.

terça-feira, dezembro 08, 2009

Del qué hacer con estos poemas (Gioconda Belli)

Pienso que juntaré mis poemas,
agarrados como una fila de huracanes
y haré un libro desafiante y bello para vos.
Un libro donde estaremos felices
o ariscos como gatos discutiendo,
un libro que flote en el tiempo de tu tiempo
y que podas enseñar a tus nietos
y decirles:

"Miren como me amó esta mujer",
con orgullo de macho idolatrado.


Gioconda Belli

sábado, dezembro 05, 2009

Aprender a decirte adiós

Aprender a decirte adiós
y sonreírte como a la llegada,
solo quererte y no pedir nada...
y solo besarte si tengo tus labios...

Aprender a decirte adiós
y a vivir sin esperar,
sin contar los días de ausencia,
sin mirarte cuando no estás.

Aprender a decirte adiós cantando,
y no pensar en el próximo despertar,
ni en el próximo domingo, o noche,
o vida... esa vida hueca de importancia.

Aprender a decirte adiós...
y a vaciarme de angustias y de miedos,
para llenarme solo de tu amor.

domingo, novembro 22, 2009

Bienvenido

Tengo a veces la ingenua sensación de estar escribiendo a alguien... pero siempre me escribo a mi, siempre es a mi a quién primero quiero llegar:


Justo cuando empezó el frío,
cuando largos abrigos empezaron a esconderme,
me dio por mirarme... y te encontré.

¡Bienvenido a esta casa y suerte en el camino!
Discúlpame los hábitos adquiridos
y los miedos mediocres,
el pasado demasiado largo
y este primer desahogo, no refinado.

Es que no tengo consejos para darte,
ni verdades a transmitir...
yo empecé hace poco a vivir y todo lo que sé es buscar.

¿Qué te puedo decir?...

Que merece la pena este mar,
que en mi barco tendrás tu sitio,
y que siempre, siempre, podrás remar.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Te amaré

Aunque el mar desaparezca
y el cielo se vuelva verde,
aunque las muertes no se lloren
y las cartas no tengan dirección,
aunque la hojas no caigan
y los peces no floten,
aunque los días no pasen,
y la luna la toquemos,
aunque los ojos no vean
y los pies no caminen,
aunque el mundo ya no esté loco
y mis poemas se pierdan,
o el viento sople bajo tierra
y no te conozca mi mente…
Aun así te amaré.

Aunque el amor se haya perdido
en las frases de nuestro tiempo,
al sabor de besos dados
por monstruos bonitos que se odian sin saber.

domingo, outubro 25, 2009

Cero (Mario Benedetti)

Mi saldo disminuye cada día
qué digo cada día
cada minuto cada
bocanada de aire

muevo mis dedos como si pudieran
atrapar o atraparme
pero mi saldo disminuye

muevo mis ojos como si pudieran
entender o entenderme
pero mi saldo disminuye

muevo mis pies cual si pudieran
acarrear o acarrearme
pero mi saldo disminuye

mi saldo disminuye cada día
qué digo cada día
cada minuto cada
bocanada de aire

y todo porque ese
compinche de la muerte
el cero
está esperando

Mario Benedetti

sexta-feira, outubro 09, 2009

Fórmula perfeita

Tenho saudades,
mas aprendi que agora es assim,
silencio que deixa espaço a tudo.

Tu sempre foste poesia.

E agora encontrámos a fórmula perfeita:
eu faço poemas e tu vives realmente,
salpicado pelo meu amor.

O gráfico descansa, por fim...

domingo, outubro 04, 2009

Súplica (Miguel Torga)

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.


Miguel Torga

domingo, setembro 20, 2009

Quero

Oxalá quem me quer
não quisesse mais ninguém.
Eu não quero partilhar
nem esperar ou abdicar.
Se digo vem quero que venhas.
Quero que sorrias porque me ves
e me esperes cada dia.
Até quero que chores se não estou
e me digas que sou linda.

Puro egoísmo, fantasia
apenas permitidos nesta folha de papel...
abrigo perfeito dos tristes sonhadores,
atados à vida, à morte e à poesia.

domingo, setembro 13, 2009

Medo

Querer-te tanto meu amor,
possuir-te por completo,
saber que me amas
e me cuidas e me queres...
isto é o paraíso!

...e por isso este inferno,
este medo de perder,
de um dia não te ter...

quarta-feira, setembro 02, 2009

Esquece-te de mim

Procurei-te nas tramas de sonhos que sonhei,
encontrei-te na história mais bonita
que nunca imaginei…
Pedi-te um sorriso e deste-me o mundo
num conto de fadas nunca contado.
Procuro-te agora onde te encontrei
e encontro o nada, o esquecimento.
As minhas mãos, metades esfarrapadas,
anseiam o fim deste tormento.
Esquece-te de mim, do que jurámos,
e que depois me esqueça eu
desse mar que nos percebeu.

domingo, agosto 30, 2009

Segredo

Sabes amor que eu te escondo uma verdade?
Sabes porque a tenho escondida?

Dizer-te que sou mar não é novidade,
mas quero ser barco numa corrida,
quero ser sereia sem idade,
quero tocar, curar esta ferida.

Sabes amor que eu te escondo uma verdade?
E olha que a tenho bem escondida...
mas leva a ternura, a sinceridade,
compra-lhes um bilhete de ida,
e quanto à minha fatal verdade,
desculpa, mas não pode ser repartida!

domingo, agosto 16, 2009

A espantosa realidade das cousas (Alberto Caeiro)

É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

Alberto Caeiro

domingo, agosto 09, 2009

Façam o favor de ser felizes

"Quando me perguntam como crio o riso, digo: não sei. E não sei mesmo, não faço a menor ideia, nem isso me preocupa, porque no dia em que mexer nesse mecanismo, tenho medo de o perturbar. Deixem-me estar nesta doce inconsciência e ignorância em relação a esse assunto."

Raul Solnado

quarta-feira, julho 29, 2009

Mi deuda

Te debo las ganas de despertar,
la paciencia, la tolerancia, la paz,
los días siempre guapos
y las noches tranquilas…
Te debo esta felicidad,
mis sueños y la esperanza.
Te debo las partes buenas del mundo,
los juegos sin jugar, la poesía,
las estrellas siempre amigas
y los silencios mágicos sin hablar!

Aún te debo la vida…
Y por tu amor y hasta morir
desearé vivir… y después…

después que mi nada se convierta
en una de esas estrellas amigas
del cielo que me ofreciste.

quarta-feira, julho 22, 2009

Atrevimento

Imagino o céu com departamentos,
faxes e telefones, computadores e muitos papeis.
Ao fundo a secção de pedidos, promesas e entregas.
No centro vejo um grande observatório,
com janelas cá para baixo.
Á entrada gestionam-se as admissões e os pecados.

É um sem fim de papelada, CDs e pen-drives...

Vou mandar um fax lá para cima:

“Estimados senhores,
agradeço o envio solicitado,
a mercadoria chegou em excelentes condições.
Aproveito para reclamar
o atraso na outra entrega (367-4-3659-AF)
e recordar a promessa de grau 8
remetida no mes passado (143.21.14.98).

Sem outro assunto me despeço.
Com os meus melhores cumprimentos,

Susana Catarino, associada numero 4.731.450.567”

terça-feira, julho 21, 2009

Os versos que te fiz (Florbela Espanca)

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Tem dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.


Florbela Espanca

segunda-feira, julho 20, 2009

Lua - Pedro Abrunhosa

Mais um dia que acaba
e a cidade parece dormir,
da janela vejo a luz que bate no chao
e penso em te possuir.
Noite após noite, ha ja muito tempo,
saio sem saber para onde vou,
chamo por ti, na sombra das ruas,
mas só a lua sabe quem eu sou.
Lua, lua,
eu quero ver o teu brilhar,
lua, lua, lua,
Eu quero ver o teu sorrir.

Leva-me contigo,
mostra-me onde estas,
é que o pior castigo
é viver assim, sem luz nem paz,
sozinho com o peso do caminho
que se fez para tras...
Lua, eu quero ver o teu brilhar,
no luar, no luar.

Homens de chapéu e cigarros compridos
vagueiam pelas ruas com olhares cheios de nada,
mulheres meio despidas encostadas à parede
fazem-me sinais que finjo nao entender.
Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites.
Os bares estao fechados ja nao ha onde beber,
este silencio escuro nao me deixa adormecer.
Loucas sao as noites...

Nao ha saudade sem regresso, nao ha noites sem
madrugada,
Ouco ao longe as guitarras, nas quais vou partir,
na névoa construo a minha estrada.

Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites.
Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites...

Pedro Abrunhosa

sábado, julho 18, 2009

Silêncio

Na solidão tão preenchida
dos meus dias iguais,
oiço a nossa música,
choro ao tocar-te...
...a imaginação já só me leva
a uma recordação que anda perdida.
Tudo o resto meu amor...
é sal, pedras e dor.

segunda-feira, julho 13, 2009

Aqui estarei

Nas voltas que a vida dá
encontro mil voltas desconhecidas
e dou a volta para não ver
fingindo esquecer o que não vi.
E sem pausa, sem medo,
avanço perdida na única direcção que conheço
e quando chego é sempre cedo.
Nas voltas que a vida dá
encontro mil motivos para parar
e para fugir sem explicar…
mas essa volta há-de vir,
e se chega, se se aproxima,
aqui estarei, no mesmo sítio,
chorando, rindo, vivendo sob a mesma rima,
esperando essa única volta bem-vinda.

quarta-feira, julho 01, 2009

La suerte

…y tu eres la excepción.

La carretera se llena de obstáculos
a cada curva un esfuerzo, nuevas luchas.
Mil gotas de sudor o lágrimas,
mil batallas y conquistas,
fracasos, ambiciones, siempre prisas…
El destino no existe, lo que hay es voluntad,
querer, los desafíos, nuestras fuerzas,
las rutas bien definidas, la estrategia.
No parar en el camino, que detrás viene gente,
estar alerta, aprovechar, luchar, luchar, luchar…
Esta es la regla, esta es la misión.

Sin embargo, llegar a ti no supuso esfuerzo,
viniste sin complicaciones, sin obstáculos,
no fuiste el premio ni el incentivo,
fuiste el destino, ¡la suerte!

Porque tú eres la excepción.

terça-feira, junho 30, 2009

Síndrome (Mario Benedetti)

Todavía tengo casi todos mis dientes
casi todos mis cabellos y poquísimas canas
puedo hacer y deshacer el amor
trepar una escalera de dos en dos
y correr cuarenta metros detrás del ómnibus
o sea que no debería sentirme viejo
pero el grave problema es que antes
no me fijaba en estos detalles.

Mario Benedetti

domingo, junho 28, 2009

Verdade

Já me esqueci de como era amar-te!
Os dias agora são outra vez de sol
e afinal... esse amor...
bateu à porta, entrou, saiu e não voltou!
E lembras-te dos abraços e dos sorrisos?
Lembras-te do mar e do que prometi?
O vento foi mais forte!
Mas gosto de te chamar amor,
e queria ter-te outra vez aqui.
Outra vez eu ía ser igual,
outra vez tu ías ser igual...
talvez te amásse uma vez mais!

sábado, junho 27, 2009

THERE´S A PLACE IN YOUR HEART
AND I KNOW THAT IT IS LOVE
AND THIS PLACE COULD BE MUCH BRIGHTER THAN TOMORROW
AND IF YOU REALLY TRY
YOU´LL FIND THERE´S NO NEED TO CRY
IN THIS PLACE YOU´LL FEEL THERE´S NO HURT OR SORROW
THERE ARE WAYS TO GET THERE
IF YOU CARE ENOUGH FOR THE LIVING
MAKE A LITTLE SPACE
MAKE A BETTER PLACE

HEAL THE WORLD
MAKE IT A BETTER PLACE
FOR YOU AND FOR ME AND THE ENTIRE HUMAN RACE
THERE ARE, PEOPLE DYING
IF YOU CARE ENOUGH FOR THE LIVING
MAKE A BETTER PLACE FOR YOU AND FOR ME

IF YOU WANT TO KNOW WHY
THERE´S A LOVE THAT CANNOT LIE
LOVE IS STRONG
IT ONLY CARES FOR JOYFUL GIVING
IF WE TRY
WE SHALL SEE
IN THIS BLISS
WE CANNOT FEEL
FEAR OR DREAD
WE STOP EXISTING AND START LIVING
THEN IT FEELS THAT ALWAYS
LOVE´S ENOUGH FOR US GROWING
MAKE A BETTER WORLD
MAKE A BETTER WORLD

HEAL THE WORLD
MAKE IT A BETTER PLACE
FOR YOU AND FOR ME AND THE ENTIRE HUMAN RACE
THERE ARE, PEOPLE DYING
IF YOU CARE ENOUGH FOR THE LIVING
MAKE A BETTER PLACE FOR YOU AND FOR ME

AND THE DREAM WE WERE CONCEIVED IN
WILL REVEAL A JOYFUL FACE
AND THE WORLD WE ONCE BELIEVED IN
WILL SHINE AGAIN IN GRACE
THEN WHY DO WE KEEP STRANGLING LIFE
WOUND THIS EARTH CRUCIFY ITS SOUL
THOUGH IT´S PLAIN TO SEE
THIS WORLD IS HEAVENLY
BE GOD´S GLOW

WE COULD FLY SO HIGH LET OUR SPIRITS NEVER DIE
IN MY HEART
I FEEL YOU ARE ALL MY BROTHERS
CREATE A WORLD WITH NO FEAR
TOGETHER WE CRY HAPPY TEARS
SEE THE NATIONS TURN THEIR SWORDS INTO PLOUGHSHARES
WE COULD REALLY GET THERE
IF YOU CARED ENOUGH FOR THE LIVING
MAKE A LITTLE SPACE
TO MAKE A BETTER PLACE

HEAL THE WORLD
MAKE IT A BETTER PLACE
FOR YOU AND FOR ME AND THE ENTIRE HUMAN RACE
THERE ARE, PEOPLE DYING
IF YOU CARE ENOUGH FOR THE LIVING
MAKE A BETTER PLACE FOR YOU AND FOR ME

Michael Jakson

quarta-feira, junho 24, 2009

Notas escondidas

Vi-te ao longe e julguei-te mar,
uma só onda me levava!
De te olhar tão fixamente, sol
quando deixei de ver quem era.

O vento mostrou-me a saudade
e cada gota de chuva foi recordação,
dos dias distantes
quando o longe não existia.
Posso agora cantar?
Mesmo que as notas já sejam lágrimas
e a melodia tristeza?
Posso cantar?

Esta música que ainda encerro
é a chave que nunca te dei
do meu coração...

sexta-feira, junho 19, 2009

Tira teimas

Não te posso mentir,
as luzes aproximam-se de mim e fascinam-me.
Corro detrás delas, envergonhada,
sem poder fixar o teu olhar… ou mesmo o meu.
E chego onde todos dizem ser o limite,
arrisco a alma, dispo-me de sonhos e observo.
O meu coração apertado para,
caminho, e sozinha de mim mesma
entrego-me à novidade, aflita vou conhecendo
mas o trajecto tranquiliza-me:
a nossa casa é a minha, nada me faz mais feliz.

domingo, junho 14, 2009

Esqueci-me

Esqueci-me...
esqueci-me de te esquecer
e passei a noite a sonhar
com um dia onde estavas,
com esta melodia de te amar!
Esqueci-me...
esqueci-me de te pedir um beijo,
um abraço,
e de te dizer que não esqueço
as palavras que dissémos
e as outras, em silêncio!

quarta-feira, junho 10, 2009

Os bons vi sempre passar (Luis de Camões)

Os bons vi sempre passar
no Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
anda o Mundo concertado.

Luis de Camões

domingo, junho 07, 2009

Abraço Preciso

Alguns poemas nascem do vazio,
dos espaços em branco, do silêncio da vida.
Hoje este nada convida-me a escrever,
porque já só me resta o muito que ficou:
esse teu abraço preciso.
Longe ficou o entusiasmo, a raiva e a dúvida.
As nossas palavras já não pulsam por dentro,
ansiosas, pedindo outras.
Viro a página – ou foste tu que a viraste?...
Perco um amigo – cumpra-se o luto.
As conclusões ficam para outra vida,
que desta não entendo muito.

quarta-feira, junho 03, 2009

Distancia

Inútil intentar olvidar, vivir como si no existiera,
mirar hacia los lados y ignorar...
es inútil imaginar que lo lejano esta cerca,
porque no hay como engañar al tiempo y al espacio.
Te regalé mis manos un día
y con el recuerdo tienes que vivir,
abrazado a un cuerpo ausente,
besando unos labios que ya no tienes.
Es el precio de quererme...
no tenerme es el precio.
Y del otro lado del estrecho
mi alma se duerme en la soledad,
viviendo sin sentir,
esperandote indefinidamente,
con la paciencia de los angeles que me envias
y con la fuerza del amor que me das.

sexta-feira, maio 29, 2009

Eugénio de Andrade

Cada vez que leio um poema deste Senhor decido baptizar esse afortunado día com o seu nome. Hoje este día que acaba chama-se Eugénio de Andrade e valeu a pena.

Adeus (Eugénio de Andrade)

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor…,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus

EUGÉNIO DE ANDRADE

quarta-feira, maio 27, 2009

Segundo

Quando te sinto mais perto,
perto como quem está dentro,
começo a olhar para nós
e por tanto fixar o teu rosto e atitude,
por tanto me observar contigo,
por perder-me em ti e nas tuas coisas,
não nos vejo, não te recordo.
Por ver todos os detalhes,
perdo o significado, sem perder o sentimento.
E fujo... para garantir que nos guardo...

Tremo, tenho nas mãos um valioso cristal
e temo que se parta, que se lhe apague o brilho.

Tropeço, olho desconfiada,
avanço... recuo ...

... este momento de cobardia
só dura um segundo, o mesmo segundo que demoras a resgatarme.

segunda-feira, maio 25, 2009

Cinco Sentidos

Se o vento me fala do que és,
se a lua me recorda a tua voz,
se o sol é o teu rir
e as marés o teu sentir,
preferia hoje apenas confiar no sentimento
e na memória apenas guardar
o tempo em que os cinco sentidos
me diziam o que era amar.

domingo, maio 17, 2009

Sombras

Eternos e perfeitos...
Têem vantagem sobre os outros
esses amores sem desgaste.

Sombras claras sobre os caminhos da vida,
dos días que se seguem tão cheios e tão vazios.

...ainda esperas, coragem e loucura,
ainda despistadas borboletas no estômago...
e sem chegar, completam,
sem ganhar,vencem e não desistem.

sábado, maio 16, 2009

Até amanhã

Hoje quero sonhar contigo.
Apago a luz, fixo o teu rosto,
e o meu sentir faz-te estar aqui.
As tuas mãos, juro segurá-las para sempre,
quando despertar despedimo-nos.
Tu vais dizer "Até outro dia"
e o meu silêncio magoar-nos-à.
"Até amanhã", quando já estiveres longe!

terça-feira, maio 12, 2009

Qualquer coisa (Ricardo Agferr)

Quero um pedaço de ti...
um olhar idolatrado,
um toque desmesurado,
um riso descuidado...
qualquer coisa
assim.


Ricardo Agferr

sábado, maio 09, 2009

Recordar

Hoje é dia para te esquecer,
dia para te encontrar
e de mansinho te dizer
o que entendo por amar.
Hoje é dia para te esquecer
dia de não te lembrar
dia de ser maior,
dia de me conquistar.
Hoje é dia para te esquecer
assim amanhã será mais doce,
mais merecido o recordar!

sábado, maio 02, 2009

Dia Novo

Olho lá para fora
e vejo cores conhecidas
risos e gritos... previstos!
Vento que sopra,
sol que aquece
água da chuva que molha,
lama da estrada que suja...

Dias e dias que pecam
por serem iguais aos outros,
noites com as mesmas estrelas,
marés com as mesmas ondas...

Mas amanhã...
aposto que surgirão cores novas,
o vento, o sol e a àgua
hão-de saber-me a novidade!
Será sempre um dia novo,
esse em que te vejo!

quarta-feira, abril 29, 2009

Espera

Quantos dias tem uma espera
e quantas horas os dias vazios?
Quantos suspiros tem a saudade
e quantas ilusões o bem querer?
Quantas dúvidas nascem de uma recordação
e quantas certezas de uma despedida?
Quantos sorrisos ficam guardados
e quantas palavras não são ditas?

Quantos nada querem saber... porque preferem viver...

segunda-feira, abril 20, 2009

Sin impulsos ni voluntades

Avanzo como quién retrocede...
tocando aquello que no quise guardar
por miedo a enredarme en ti.
Ya nadie me dice: no puedo olvidarte.
Y todas las palabras están allá, lejos, tan lejos que las siento.
El tiempo pasó deprisa, sin impulsos ni voluntades.
Hoy te entrego mi alma, envuelta en mil miradas,
perdida en las cuerdas de tu guitarra, silenciosa.
Y pienso, pienso compulsivamente en que me gustaría lograr decir:

echo de menos lo que nunca tuve… y no tener, otra vez.

quarta-feira, abril 15, 2009

Poeta contando (Rafael Sarmenteiro)

Ando às voltas com este poema:



"Poeta Contando


Un, dos, tres, cuatro, cinco, seis, siete, once.




Rafael Sarmentero"

sábado, abril 11, 2009

Ás vezes

Ás vezes, quando estou sozinha, as vozes do meu silêncio gritam muito alto e necessito fugir dessa multidão para estar no meio de gente que fale sem parar...
Às vezes, quando o mundo me parece pequeno, fecho-me no meu ser e viajo uma e outra vez à volta de ideias e de sonhos que me levam muito longe... tão longe que me perco... tão longe que às vezes não regresso. Mas esse mundo distante de repente também é pequeno... e viajo uma e outra vez à volta de ideias e de sonhos que me levam muito longe...
Às vezes, quando só os outros me compreendem, protejo o meu coração ferido entre as recordações de vidas passadas, onde fui original e onde a alegria e o fracasso tinham sabor, mas às vezes, quando o tempo me quer devolver espaços onde fui feliz, fujo, e busco horizontes livres de decepções e desenganos...
Às vezes, quando nada acontece às vezes, e a rotina da vida não escolhida me ensina a ser uma máquina triste e redimida, nesses às vezes, encontro as cores de uma vida que pode ser sentida quando às vezes tu me beijas. Às vezes vivo e nesses às vezes sou feliz.

No pasa un día (Martín López-Vega)

Um dia encontrei neste poema um pouco de paraíso:

"No pasa un día

No hay que ser muy exigente:
una sonrisa en el momento justo,
un ritmo y unas notas,
simplemente un amanecer,
el borrador de un poema
o el mismo Borges
recordándonos que no pasa
un día sin haber estado,
al menos un momento,
en el paraíso.

Martín López-Vega"


... e entendi que outros pensavam como eu, o paraíso, se existe, está mesmo aqui ao lado.

terça-feira, abril 07, 2009

Primeiros passos

Depois de 3 dias de vida este blog conta-me ao ouvido que está contente...
É tempo de o deixar respirar... deixo mais um poema, oxalá seja uma boa companhia.

Liberdade




Pedras que saltam


mas são só pedras,


caminhos que percorro,


ondas que corto sem sentir...



Quisera saber o destino,


secreto, ainda escondido.



Fecho as portas


das chaves que tenho... e fujo.


Liberdade!


Só esta vale o suor,


e o meu sorriso.

segunda-feira, abril 06, 2009

Palavras

Palavras escondidas,

disfarçadas, maltratadas...

cuspidas nas ruas da rotina,

são guardanapo, cigarro,

fralda descartável

a meio caminho entre a loja e o lixo!

Encerram mágoas e paixões,

traduzem à letra o que não se escreve,

as palavras!

De tanto usadas decoradas,

mas esquecidas, perdidas em frases

que andam perdidas pelo mundo.

Palavras banais ou requintadas,

bem pronunciadas ou apenas ditas,

curtas, compridas, doces, amargas...

 

                          ...palavras.

domingo, abril 05, 2009

O mundo encolheu!


A minha avó nasceu numa aldeia pequenina e o cenário da sua vida levantou-se numa área de não mais de 100.000 km2. A minha avó sabia que o mundo era grande, porque algumas pessoas iam para um sitio que se chamava estrangeiro e demoravam muito tempo a regressar.  Nesse tempo as viagens eram verdadeiras aventuras, requeriam vários dias de preparação e muitas decisões. Viajar era algo realmente importante e por isso frequentemente se vestiam roupas boas para essa ocasião.

 O tempo passou depressa... e o mundo encolheu!

 Agora as viagens fazem-se de fato de treino, vive-se em áreas de vários milhões de quilómetros e o estrangeiro está aqui ao lado.

 Hoje quando digo à minha avó que vou de viagem ela pergunta-me se janto em casa. Ha duas semanas fiz uma viagem “normal”. Passei por 3 aeroportos, falei 3 linguas diferentes, comprei com 2 tipos de moeda e estava a jantar em casa.

 Sem dúvida este mundo pequenino permite-nos aprender mais depressa. Este movimento continuo de pessoas torna o mundo mais homogéneo. Cada vez somos mais de uma só cor, formada por todas as cores existentes. A tonalidade é magnifica.

 Desejo que o mundo continue a encolher, que na máquina de lavar da Humanidade exista muita agua quente capaz de reduzir distancias, capaz de expandir as mentes. Ver e sentir é o primeiro passo para compreender. Tenho a certeza que um avião ou um comboio não transporta só pessoas, com elas vai a essência de um país, de uma região que respira melhor em atmosferas plurais. 


Aborrecimento

 

Não pude imaginar a vida

sem que a estivésse já a viver,

não a pude imaginar sem preconceitos,

sem nada saber, com inocência.


Talvez seja esta a razão deste meu aborrecimento,

deste continuo encontro com sorrisos já esperados...


Quero un dia novo,

vinte e quatro horas de momentos não pensados.

Estou farta de protagonizar histórias incrivéis

mas por desgraça já sentidas.

Peço num grito, a quem sei que não existe,

que me traga um dia novo,

ou que me explique com convicção

que o melhor será talvez

encomendar algumas doses

de pura e doce resignação.


Aqui estou!

Olá...
foram vários os amigos que me incentivaram a criar este blog. Sempre lhes fui dizendo que não tinha tempo. Hoje decidi que o tenho.

Com este espaço pretendo estar mais perto de muitos amigos, e de muitos possiveis amigos, pretendo dizer ao mundo (ou a meia dúzia de pessoas) que tenho coragem e que gosto de falar daquilo que sou, antes que os dias se acabem sem ter participado na sua construcção.

Este blog não vai resolver os problemas do mundo, nem os meus próprios problemas... pretendo apenas que seja, nalgum momento, um abraço preciso, uma palavra mágica ou uma lágrima compreendida, partilhada.

Não estamos sós, mesmo quando estamos.

Oxalá estas primeiras palavras sejam o início de algo bonito, que entre todos podemos fazer. Conto com a vossa ajuda.

Desculpem-me antecipadamente os dias menos inspirados.

Susana

National Geographic POD